sábado, 30 de outubro de 2010

Zombie

Sou figurada e figurante nesta história angustiante que todos insistem em seguir. Assistindo as pessoas vestindo suas mentiras e despindo suas almas, mas nunca deixando de fingir. Não me sinto envergonhada de achar que é mentira, pois senão fosse ninguém precisaria repetir tanto, questionar tanto, debater tanto, declarar tanto, idealizar tanto. Todos permanecem falando e falando, mas não faz sentido porque você não sente isto. Abraços, beijos e palavras sem valor.
O medo de ficar sozinho te faz ceder a qualquer um. Sem ódio, sem medo, sem amizade, sem amor. A questão para mim não é qual sentimento, mas fazer sentir. É tudo tão superficial que não nos permite nem a isto. E vamos ficando com o muito pouco... Vai sobrando quase nada.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Closer to the edge

Isto começa na berlinda, no fim, a partir do ponto 6, da reflexão de um filme, da comparação com a vida, da compreensão que eu finjo ter de tudo e todos. Começa na coragem que eu não tive de continuar ou na fé que eu tive em perseverar. Coragem que tiveram sob a lua, sob remédios, sob fumaça, sob circunstâncias estranhas que eu não tive perante a lâmina. Fé que me fez continuar a ser concreta nesta realidade, sem que ela fosse um desdobramento, sabendo que em algum lugar não foi assim. Compreendendo quem esteve na berlinda, porque eu cheguei perto da borda, só não cedi a ela.
Sabe, assusta hoje saber que eu poderia não estar aqui. O quanto desejei isto e a que ponto eu cheguei. Como eu disse um dia, cercada de luz eu fiquei cega. O paradoxo de se sentir mal quando deveria sentir-se bem, cercada de amigos e pronta para a salvação. Eu nunca senti nada disto e continuo não sentindo, mas estou em paz. Em paz comigo, com o meu espírito, com meu eu.
Conversando com uma pessoa um dia, ela me disse que o que nos faz agir assim é conhecermos a verdade e renegarmos a ela. Não concordo. Afinal de contas, o que é a verdade? A sua é diferente da minha, baseado em que ela seria melhor? Etnocentrismo, controle do pensar e teorias controladoras de massas implantas e pregadas de geração e geração... Eu não concordo e aceitei a mim mesma neste não concordar. Foi vital para minha sobrevivência.
Não estou dizendo que para todo mundo se tratam dos mesmos problemas, estou falando do meu caso em grande parte. Em suma, só quero explicar para mim mesma a dor que sinto quando ouço sobre um suicídio. Dói porque eu conheci parte do processo que leva até lá e creio que o caminho machuca bem mais que o fim. Porque o fim é inevitável, voluntária ou involuntariamente, estamos cada segundo mais próximos dele; Da unica certeza, do cem por cento de chances.
No entanto, ainda que o fim seja inevitável, a diferença que se faz entre o início e o fim é vital. Porque tudo o que tiver de ser feito por você, ninguém vai fazer igual. Porque tudo que tiver de ser vivido por você, ninguém vai viver igual. Porque é preciso acreditar no amanhã e nas coisas melhores que ele trará. É mais que necessário respirar fundo e ser a mudança que você quer ver. Não vai mudar o mundo, mas vai mudar você, vai tocar alguém, vai deixar sua marca discreta e indescritível nesta Terra como ninguém deixaria igual.
Em memória de todos os que um dia chegaram a tal ponto de desesperança, eu desejo fé a cada ser que respira. Fé que o amanhã será melhor que o hoje, trará mais que o hoje; Fé em si, fé no mundo, fé no cosmos... Fé em Deus, em todos eles.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Amostra grátis

A casa estava vazia, exceto por mim. A única luz que me iluminava era a pálida iluminação da rua que passava pelas janelas formando sombras fantasmagóricas nas paredes e cantos. Era minha última noite aqui, esperava-se que eu estivesse nervosa, planejando o amanhã, mas tudo que eu pensava era em você.

Na minha frente estava à caixa onde eu guardara tudo que era significativo para nós, abri-a com um sorriso e lágrimas se formando no canto dos olhos. Um conto de fadas descrito por cada objeto, no entanto sem um final feliz. Mas no fim, não há finais felizes apenas paramos de contar a história onde é interessante. Não há finais felizes porque todos nós morremos. Cedo ou tarde, seremos separados por algo que não podemos controlar e tudo que restará é dor e falta. Infelizmente, para você - para nós - foi cedo. Cedo demais; Você foi tirado de mim e tudo perdeu o sentido.

A morte não é algo simples. A morte está em tudo, em cada detalhe, onde quer que eu preste atenção. A cada lembrança, a cada vez que eu acordo e você não está ao meu lado, a cada vez que procuro a sua mão para achar segurança e encontro o vazio, é a morte se repetindo. É a dor da perda me corroendo de novo e isso não é algo com o qual você se acostume. Por muito tempo não pude entender o sentido da sua partida e estaria mentindo se dissesse que o entendo agora. Culpei os céus, a você, a mim, ao mundo... Mas no final ninguém tinha culpa e a saudade continuava implacável em meu peito.

Muitas vezes prometi não abrir mais esta caixa, ciente de que não me fazia nenhum bem relembrar uma vez que só traria mais falta. No entanto, a idéia de deixar de lado me fazia pensar que eu estava esquecendo você e isso doía mais do que tudo. “Deixa de existir quando some tudo que o representa”, eu não deixaria você sumir. Então mantive o seu amor vivo em mim, mantive aqui nossas lembranças e me consolei na idéia de que assim você ainda estava aqui em algum lugar. Quando as noites eram muito frias, quando o medo me corroia, tudo que eu me lembrava era de você. Podia sentir você aqui de novo e, de certa forma, as coisas ficavam mais fáceis mesmo que depois eu tivesse que enfrentar a verdade.

Observei a caixa a minha frente, vendo pedaços da nossa vida refletida ali e lançando-me no exercício das lembranças mais uma vez. Talvez pela última vez.


P.S.: Então, estes são os parágrafos iniciais de um conto que eu estou escrevendo e quase terminando. Não sei por que, mas deu vontade de dividir. Espero que gostem.

Little things

-Você está disposto a sangrar pelo que você deseja?
-Sangue dói menos que lágrimas.

-Você está sendo idiota!
-Eu sei... Eu me sinto idiota. Mas caramba, este é meu sonho!
-Bem... Então eu não te culpo.

-Indecisa, confusa, frustrada...
-Você nem sempre tem que sobrepor sua mente ao seu coração.
-Mas...
-O que você tentaria se não tivesse medo? Nada é impossível, Charlie.

-Somos infantis.
-Somos só crianças mais altas. Todos nós.

Diálogos com si mesma são sempre conversas tão solitárias.