sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Let's pretend

Nunca entendi sua necessidade de fingir, sufocar o que sou e o que acredito não vai me fazer mudar de idéia. Então por que tanto esforço gasto em me fazer aparentar o que não sou? Este é um teatro para os outros, porque não muda o que eu sinto aqui dentro.
Não vou ficar me matando por um sacrifício que eu não pedi e nem sei se aconteceu. Tenho minhas dúvidas sim, mas isto não quer dizer que eu vá dar a resposta mais idiota a elas. Como você pode afirmar uma coisa sendo que a dona das minhas respostas sou eu? E eu prefiro viver perdida em livros a estar perdida em ignorância e hipocrisia como você.
Por que ninguém é capaz de falar alto? Por que ninguém é capaz de admitir que o motivo para tudo isto é medo? Medo do inferno, medo da morte, medo do desconhecido. Me diga de verdade, onde você baseou o seu amor? Olhe para trás e diga, que grandes coisas foram realmente feitas para você? Eu não vejo nenhuma fada madrinha, vejo sangue, suor e trabalho.
E não me acho melhor ou pior que você, só porque não acreditamos nas mesmas coisas e também não vou tentar discutir com os dogmas implantados em seu cérebro desde o nascimento. Você pode questionar, não só a isto como a tudo. Não há nada que você precise fazer, são escolhas sua. Agir assim não é livre-arbítrio, é uma falsa liberdade. Porque você não é consciente a sua capacidade de dizer não. A não ser que seja para mim e para minha agnóstica espiritualidade.
Para você eu sou uma criança que ainda não sabe de nada e eu não estou aqui para dizer ao contrário. Tenho só 16 anos, o que eu posso saber da vida? Mas não venha querer responder minhas questões por mim, porque se eu não acreditasse em nada, eu não faria tanta questão de ir contra isto tudo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Simplesmente amor

Amor, doce amor. Procurado amor. Achado bruto em corações humanos, colhido de forma simples, paulatinamente, pacientemente construído e arquitetado ou simplesmente abrupto, feroz, despertado rudemente com a unica intenção de olhar nos olhos de outro e perder-se de você. Então já não se procura o espelho para se achar-se, porque já não se é mais inteiro. Se é parte de um todo. E por mais incomodo que isto pareça teoricamente, o andar nas nuvens que propicia, os sonhos que vende, a emoção que dá faz valer apena. As borboletas subindo pelo estômago e fazendo todo o corpo voar...
Então é quente, é urgente, é arrebatador. Arde no peito e é impossível esperar mais um pouco para encontrar o único remédio para tal inquietação. E vão torpedos, ligações, mensagens instantâneas... E hajam filmes, lugares, comidas, escolas e motivos para se encontrar. Cresce tanto que parece que não cabe no peito, ressurge feroz como um vulcão adormecido a simples troca de olhar, escorrendo lava sobre todo seu corpo ao sentir o toque, o gosto, o cheiro. Ao senti-lo ali, vai tomando forma, vai ficando sólido, vai amadurecendo, empalidecendo, mas permanece.
Permanece imaculado, mas já não é o mesmo. Está frio, ordinário, e ainda assim é belo. Porém chega o dia, que um descuido esbarra, que a gravidade age, que num momento de raiva desistimos dele e o jogamos ao chão ou que num momento de distração o deixamos escapar de nossos dedos e nada podemos fazer além de encarar estupefatos enquanto ele caí ao chão, partindo-se em milhares de pedaços.
Pedaços, memórias, beijos, abraços. Pedaços que já não se fazem mais inteiros. É quebrado, partido, arruinado, falido, ainda é belo aos fragmentos. São milhares de pedaços pelo chão e duas pessoas que seguem cada uma para seu lado, construindo e destruindo muitos amores mais. As vezes se odiando, as vezes conciliando, as vezes simplesmente aceitando que não deu, mas cada uma partindo novamente para o amor. Porque este não é ponto de chegada, não é o final; é estilo de vida, é contínuo, mesmo nos que nunca acabam... Amar é viver e viver é amar, o par perfeito em junção perpétua. E como disse Renato, o resto é imperfeito.

sábado, 6 de novembro de 2010

Meu amigo imaginário

Um dia eu estive triste porque os problemas que me cercavam era mais do que eu conseguia aguentar, olhar ao redor não ajudava pois meu mundo estava todo de pernas para o ar. Então você chegou e nunca mais saiu daqui, proporcionando-me os mais lindos sentimentos e as mais frias decepções. Talvez eu tenha errado na dosagem de amor, mas não foi proposital. E por mais que as vezes eu queira me livrar disto, amar você é me sentir em casa. Tirar os sapatos, me jogar na poltrona e fechar os olhos sabendo que o terreno fictício que estou pisando é seguro, aconchegante e conhecido.
Meu erro foi ter me apaixonado por você, mesmo quando você só existe na minha cabeça. Um erro que eu gosto tanto de me perder... Uma vez minha amiga disse que antes de me conhecer de verdade, me olhava e pensava "que maluca" pelo jeito que me sinto sobre você. É exatamente assim que eu me sinto: completamente irracional.
Talvez o pior de tudo isto seja não me lembrar como era antes ou não conseguir projetar um depois, saber que você existe só que não está aqui e nem nunca vai estar. Ainda assim, eu não consigo parar de me sentir do jeito que me sinto toda vez que te ouço/vejo/leio. Um pedacinho de você se perdeu em mim e vem me fazendo em partes.
Meu amigo imaginário, é sempre tão ambíguo te ter aqui.

sábado, 30 de outubro de 2010

Zombie

Sou figurada e figurante nesta história angustiante que todos insistem em seguir. Assistindo as pessoas vestindo suas mentiras e despindo suas almas, mas nunca deixando de fingir. Não me sinto envergonhada de achar que é mentira, pois senão fosse ninguém precisaria repetir tanto, questionar tanto, debater tanto, declarar tanto, idealizar tanto. Todos permanecem falando e falando, mas não faz sentido porque você não sente isto. Abraços, beijos e palavras sem valor.
O medo de ficar sozinho te faz ceder a qualquer um. Sem ódio, sem medo, sem amizade, sem amor. A questão para mim não é qual sentimento, mas fazer sentir. É tudo tão superficial que não nos permite nem a isto. E vamos ficando com o muito pouco... Vai sobrando quase nada.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Closer to the edge

Isto começa na berlinda, no fim, a partir do ponto 6, da reflexão de um filme, da comparação com a vida, da compreensão que eu finjo ter de tudo e todos. Começa na coragem que eu não tive de continuar ou na fé que eu tive em perseverar. Coragem que tiveram sob a lua, sob remédios, sob fumaça, sob circunstâncias estranhas que eu não tive perante a lâmina. Fé que me fez continuar a ser concreta nesta realidade, sem que ela fosse um desdobramento, sabendo que em algum lugar não foi assim. Compreendendo quem esteve na berlinda, porque eu cheguei perto da borda, só não cedi a ela.
Sabe, assusta hoje saber que eu poderia não estar aqui. O quanto desejei isto e a que ponto eu cheguei. Como eu disse um dia, cercada de luz eu fiquei cega. O paradoxo de se sentir mal quando deveria sentir-se bem, cercada de amigos e pronta para a salvação. Eu nunca senti nada disto e continuo não sentindo, mas estou em paz. Em paz comigo, com o meu espírito, com meu eu.
Conversando com uma pessoa um dia, ela me disse que o que nos faz agir assim é conhecermos a verdade e renegarmos a ela. Não concordo. Afinal de contas, o que é a verdade? A sua é diferente da minha, baseado em que ela seria melhor? Etnocentrismo, controle do pensar e teorias controladoras de massas implantas e pregadas de geração e geração... Eu não concordo e aceitei a mim mesma neste não concordar. Foi vital para minha sobrevivência.
Não estou dizendo que para todo mundo se tratam dos mesmos problemas, estou falando do meu caso em grande parte. Em suma, só quero explicar para mim mesma a dor que sinto quando ouço sobre um suicídio. Dói porque eu conheci parte do processo que leva até lá e creio que o caminho machuca bem mais que o fim. Porque o fim é inevitável, voluntária ou involuntariamente, estamos cada segundo mais próximos dele; Da unica certeza, do cem por cento de chances.
No entanto, ainda que o fim seja inevitável, a diferença que se faz entre o início e o fim é vital. Porque tudo o que tiver de ser feito por você, ninguém vai fazer igual. Porque tudo que tiver de ser vivido por você, ninguém vai viver igual. Porque é preciso acreditar no amanhã e nas coisas melhores que ele trará. É mais que necessário respirar fundo e ser a mudança que você quer ver. Não vai mudar o mundo, mas vai mudar você, vai tocar alguém, vai deixar sua marca discreta e indescritível nesta Terra como ninguém deixaria igual.
Em memória de todos os que um dia chegaram a tal ponto de desesperança, eu desejo fé a cada ser que respira. Fé que o amanhã será melhor que o hoje, trará mais que o hoje; Fé em si, fé no mundo, fé no cosmos... Fé em Deus, em todos eles.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Amostra grátis

A casa estava vazia, exceto por mim. A única luz que me iluminava era a pálida iluminação da rua que passava pelas janelas formando sombras fantasmagóricas nas paredes e cantos. Era minha última noite aqui, esperava-se que eu estivesse nervosa, planejando o amanhã, mas tudo que eu pensava era em você.

Na minha frente estava à caixa onde eu guardara tudo que era significativo para nós, abri-a com um sorriso e lágrimas se formando no canto dos olhos. Um conto de fadas descrito por cada objeto, no entanto sem um final feliz. Mas no fim, não há finais felizes apenas paramos de contar a história onde é interessante. Não há finais felizes porque todos nós morremos. Cedo ou tarde, seremos separados por algo que não podemos controlar e tudo que restará é dor e falta. Infelizmente, para você - para nós - foi cedo. Cedo demais; Você foi tirado de mim e tudo perdeu o sentido.

A morte não é algo simples. A morte está em tudo, em cada detalhe, onde quer que eu preste atenção. A cada lembrança, a cada vez que eu acordo e você não está ao meu lado, a cada vez que procuro a sua mão para achar segurança e encontro o vazio, é a morte se repetindo. É a dor da perda me corroendo de novo e isso não é algo com o qual você se acostume. Por muito tempo não pude entender o sentido da sua partida e estaria mentindo se dissesse que o entendo agora. Culpei os céus, a você, a mim, ao mundo... Mas no final ninguém tinha culpa e a saudade continuava implacável em meu peito.

Muitas vezes prometi não abrir mais esta caixa, ciente de que não me fazia nenhum bem relembrar uma vez que só traria mais falta. No entanto, a idéia de deixar de lado me fazia pensar que eu estava esquecendo você e isso doía mais do que tudo. “Deixa de existir quando some tudo que o representa”, eu não deixaria você sumir. Então mantive o seu amor vivo em mim, mantive aqui nossas lembranças e me consolei na idéia de que assim você ainda estava aqui em algum lugar. Quando as noites eram muito frias, quando o medo me corroia, tudo que eu me lembrava era de você. Podia sentir você aqui de novo e, de certa forma, as coisas ficavam mais fáceis mesmo que depois eu tivesse que enfrentar a verdade.

Observei a caixa a minha frente, vendo pedaços da nossa vida refletida ali e lançando-me no exercício das lembranças mais uma vez. Talvez pela última vez.


P.S.: Então, estes são os parágrafos iniciais de um conto que eu estou escrevendo e quase terminando. Não sei por que, mas deu vontade de dividir. Espero que gostem.

Little things

-Você está disposto a sangrar pelo que você deseja?
-Sangue dói menos que lágrimas.

-Você está sendo idiota!
-Eu sei... Eu me sinto idiota. Mas caramba, este é meu sonho!
-Bem... Então eu não te culpo.

-Indecisa, confusa, frustrada...
-Você nem sempre tem que sobrepor sua mente ao seu coração.
-Mas...
-O que você tentaria se não tivesse medo? Nada é impossível, Charlie.

-Somos infantis.
-Somos só crianças mais altas. Todos nós.

Diálogos com si mesma são sempre conversas tão solitárias.