sábado, 14 de maio de 2011

Rojo

As pessoas observam seu rosto seu expressão, os olhos ainda abertos e desfocados que encaram o nada, o sangue agora frio que fugiu das veias, o corpo agora vazio. Não imaginam o que havia acontecido ali. Não veem aquele homem como um pai, um filho, um amor, um irmão. Enxergam apenas a remota lembrança do que se tornou, porque o calor daquele corpo há muito fora embora carregando sua alma.
No fim, não fora uma luta entre dois homens, foram murros de ideias. Simplesmente porque não conseguimos aceitar o pensar dos outros, fomos feitos para a ditadura de nós mesmos. "Não levante a sua voz" gritamos. E no final, como julgar quem é certo? Porque esta certeza vem acompanhada de preceitos. E quais deles são neutros? Seguimos numa constante luta entre você e os outros. As vezes até você e você mesmo. Tanta coisa aqui dentro que eu não consigo colocar para fora.
No fim, foram dois homens inflamados um contra o outro. Uma guerra física em defesa do abstrato que mantinham em mente. Medo, dor, paixão, semelhantes, antagônicos e espelhados. E Vale a pena? Estou certo? O que é certo? Um amanheceu morto. Sem perspectivas, sonhos ou mesmo a ideia que o matou. Fará diferença? O que é verdade? Não há verdade. Não é pedida a aceitação, mas o entendimento; O mínimo respeito.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fugaz

As vezes deixamos para o amanhã. As vezes planejamos, sonhamos demais. Não contamos com o ponto final de outros em nossa própria história. Não permitimos, mas ainda assim temos a intervenção. Um ponto final que talvez deixe tudo mal terminado e que quase nunca é nossa escolha. Vida é vento. É psicografia de nós mesmos como alma que, ao menor sopro, foge.

sábado, 26 de março de 2011

Verdade

Este provavelmente vai ser um dos textos mais claros que estão por aqui. Talvez você vai se identificar com a situação então, para não deixar dúvidas, eu vou dizendo logo que é para você. Porque esta sou eu deixando claro na mesa as cartas que jogo e de que lado estou. Porque eu não sirvo para ser atriz e viver de atuações. Porque tudo que eu falei eu realmente achava, eu realmente desejava. Desejava o seu melhor e o que eu ganho em troco disto? Um bote pelas costas antes de ter feito nada.
Então você passou de alguém que eu considerava para mais um na corja dos que eu evito, quase abomino. Na verdade, não sei o que me fez te abrir a exceção sem desconfiar. Por fazer parte da vida de outro alguém talvez... E eu realmente não entendo seus motivos para agressões gratuitas, mas meu alívio é minha própria indiferença naqueles tempos. Indiferença que volta a partir de agora.
E ache idiota tudo isto, ache coisa de criança. Palavras não machucam e não é agora que elas vão começar. Mas ao menos saiba que você perdeu alguém que se importa. Ou melhor, se importava.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Amargo

Eu não sei o que esperava, sei que não é isto. Tenho o que preciso, mas ainda sinto aquela falta de brilho. Sem fotos, sem milhões de coisas. Só o básico. O básico que me dá tudo o que tenho direito, no entanto ainda o básico. Eu não gosto do básico. O básico me deixa sentir o amargo de uma vida sem cor.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Tudo o que é deixado

Paixão. Paixão pelas coisas simples, inúteis; mas bonitas de se ver, de se ouvir. Paixão por coisas claras, ensolaradas, calorosas. Coisas que envolvem, movimentam, apertam, soltam. Paixão pelas coisas que fazem alguma coisa aqui dentro e nenhum sentido aqui fora. Paixão que não dá para descrever, nem explicar. Paixão que não é amor, que não é desejo, que não é carnal, que não é eros, que não é por homem, mulher ou coisa. Paixão que é vontade, saudade, curiosidade apenas. Paixão que é liberdade. Liberdade de sentir algo que não se sabe o que é, mas se agarrar a esta sensação enquanto se pode. Porque sem querer saber, se entende tudo naquele momento. Naquela pontinha de eternidade que se tem ali, no frio causado pela liberdade, pelo medo e por coragem. Sair invencível. Indecifrável, tanto quanto o sentimento que cresceu aqui.
Beleza na guerra, na terra, na juventude e no fugir dali. Viver outras vidas enquanto se dança esta música, sentindo outras almas passarem por si. Nesta alegria fomentada por medo, mas que cria paixão em mim. Entender que isto é recomeçar, tentar. Ver as dúvidas sumirem um pouco. E que ainda que não faça sentido para ninguém, faz sentido para mim. O risco de viver um sonho, ao invés de vê-lo morrer aqui. Levantar e ir.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

-E eu gosto do para sempre porque é infinito.
-O infinito não é para você.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Agridoce

Convulsão. Convulsão de cores, amores, um enjôo que começa de um frio no estômago e repentinamente expele tudo. Os risos que escapavam dos seus lábios tornaram-se menos presentes, suas mãos começam a tremer de nervoso e o que era bom vira tortura. O desejo do início substituído pela ânsia do fim. E você encara as mãos sem saber mais onde segurar, perguntando o que há com você. Vê as pessoas apontarem, rirem, gritarem e o alerta toca de novo. Para fora já.
O baque. A realidade. Tropeçar e cair as vezes. Acordar. Se sentir mal por muito tempo antes de se jogar na mentira de novo. Fraca demais para continuar, dependente demais para prosseguir. Minha droga, serotonina, adrenalina martelando em minha cabeça. Não conseguir ficar sem você está me matando por dentro. Me deixando imatura como outro dia disseram, ainda que eu discorde. Tentar e não conseguir me mata mais ainda.
Digitando e compartilhando vidas que não senti na pele, mas que criaram fantasmas no coração. Vou ficando mal assombrada. Criando, sonhando, mentindo, mentindo... Mais para mim que para todo mundo. E ainda assim sabendo enganar muito bem.