domingo, 11 de dezembro de 2011

Sobre chamas e velas

O que seria? A unica certeza, a pungente dúvida? Aquilo que acontece fora da minha janela, que eu vejo pela televisão. Na maior parte do tempo, deixo ser. Esquecendo que o coração fica mais cansado a cada segundo e que cada segundo é um adeus. Até ficarmos sóbrios do finito e bebermos para fingir que fazemos, para fingir que vemos, vivemos.
Eu só queria te entender ao invés de perder. Sentir que estou avançando em alguma coisa ou direção. Não pensar que tudo é erro. Só que alguém transviou meu manual e eu me perdi. Me perguntei como deve ter sido para alguém se esvair conscientizado, agora só consigo pensar em mim. O tempo de uma vida é nada e ainda assim é tanta coisa. E isto me confunde, dois pesos e duas medidas. Ainda espreita o fantasma do definitivo final.
Não quero que minha estrada chegue ao fim e sinto que serei atropelada no meio dela. Será que só assim se encontra tempo para olhar para o céu?

sábado, 10 de dezembro de 2011

Maré

Estou pulando de meu pequeno barco. Primeiro por diversão, mas a maré está alta, quase fora de meu alcance, e me leva para longe. Oscilo entre as ondas, o mar e o ar. O sal rasgando minha garganta.
Onde estão as mãos para me trazerem de volta? Não existem. Melhor ficar mesmo no mar. O coração navegador obedece a ode, aponta para fé e rema. Mas é muito mar, tanto mar e maresia. Tão fácil desistir. Só que para onde voltar? Só tem mar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ultrarromântico

Meu amor por você é lâmina. Minha paixão é dor pungente que me atinge. Minha única recompensa é o sangue que escorre e a vida que se esvai aos poucos. Um pouco, um pouco. Não é que não haja futuro, ele só não parece valer a pena.
E, se esta dor é tão real, por que você não? Me diz, por favor, me diga. Cale ao menos as perguntas que há em mim.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O seu silêncio

O seu silêncio descoberto por um sorriso fraco apagado por lágrimas cálidas. O seu silêncio que paira entre nós como fantasma somente percebido por nossas almas que se ferem ao seu som. O seu silêncio que reverbera nas paredes e afugenta nossos corações. O seu silêncio tímido, particular, onipresente que tomou um novo tom. O seu silêncio que me pede atenção e que eu devolvo todo carinho que tenho. O seu silêncio que arrasta um fardo pesado demais para um. O seu silêncio que pede entendimento antes de explicar. O seu silêncio sensível demais para qualquer ouvido. E com o seu silêncio, eu também me calo.

Metáfora ou comparação

Eu queimo. Queimo como se que fosse a mim que você chamasse, como se fosse os meus olhos que visse, como se fosse meus lábios que amasse. Aqueço, enrubeço, lembro, esqueço. Como se o seu último suspiro fosse meu, como se fosse minha a mão que você espera te salvar. O coração inflama, a alma esquenta e a mente pede um pouquinho mais. Como se nas suas palavras fosse eu, eu como se fosse ela.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Retórica

Ontem, você, estranho, perguntou se o que nós aprendemos na escola foi sofrer de amor. Falou como quem não acreditasse que fosse fazer alguma diferença, sem nem querer resposta. Falou só por dizer, registrar sua pequena queixa pro mundo. Não foi para mim. Ao menos, eu imagino que não. Ainda assim, gastei muito tempo pensando na resposta para esta simples pergunta retórica.
Em matéria de amor, sofri muito pouco. Não me poupou queixas ou reclamações, pelo contrário, acho que me fez reclamar muito mais que muita gente. É que eu sempre tive esta tendência melodramática e pessimista que eu nunca consegui - às vezes, até não quis - frear. Ficava pensando porque nunca aparecia alguém para eu ficar pelos cantos e ia lá pros cantos sozinha. Montei um mundo perfeito na minha cabeça e segui com ele quase sem problemas de percurso. Fiquei um tanto anestesiada para a realidade. Não sei se meu problema começou aí ou se foi aí que piorou.
Deixei de sentir, estranho. Tudo que não fosse estratosférico, não era de verdade e este é um problema. Nada mais valia a pena, tudo era muito pálido, muito sem graça. A vida era uma constante fuga para dentro de minha cabeça, para os braços de uma coisa que eu nunca tive, mas sempre senti aqui. Foi quando eu comecei a me identificar com isto tudo, com este romantismo e depressão exacerbados que alguns parecem estar envoltos hoje em dia. Tão incomodados com a vida que ainda nem começaram a viver. Eu queria morrer, estranho, e tinha menos de quinze anos.
É esta coisa anti natural de hoje em dia que me irrita, me assusta e que eu registrei nas suas palavras que me apontaram culpa e similaridade. Não, não aprendemos a sofrer de amor na escola. Aprendemos com a tv, com os livros, com o mundo, conosco. Aprendemos a esperar por um mundo encantado que não existe e quando não o encontramos ficamos assim: perdidos, extraviados. A mercê de interesses sem vigor que só nos vão desapontar e desvirtuar ainda mais. Até termos alergia a sentimentos ou sermos totalmente dependentes deles.
Quando eu disse que me machuco, estranho, não foi porque queria reclamar de amor. Foi porque eu queria ter certeza de que sentia alguma coisa. Porque neste mundo artificial está cada vez mais difícil de ter certeza sobre qualquer coisa... Até mesmo sobre nós mesmos; Muito mais sobre nós mesmos.

domingo, 16 de outubro de 2011

A luta

Ondas. Ondas frias de medo me atravessam agora. Eu me sinto preparada, sim. Talvez mais preparada do que na verdade estou. Ainda assim, bate o medo de não ser o suficiente. De agora falhar. De deixar todo mundo ver que eu não sou aquilo que eles pensam, desnudar minha cruel incompetência.
Eu não me sinto o bastante. Nunca me senti, mas agora é diferente. A única coisa que eu gostaria que ficasse, a minha única certeza sobre mim... Eu já não estou tão certa sobre isto. Não quero falhar, não quero passar por tudo isto de novo, mas lá no fundo algo grita que é exatamente o que vai acontecer.
Não posso me permitir falhar porque não aguento nada disto mais. A vida está legal agora, mas eu preciso seguir em frente. Não posso me permitir ser engolida novamente. E é exatamente o que vai acontecer se eu ficar. Eu sinto em meus ossos que é.
Eu preciso provar que eu sou melhor. Como se nem eu acredito nisto? Minha garganta se fecha, minhas mãos suam, meus olhos secam. O medo surdo. O medo mudo. O medo. É como se eu encarasse cada um deles nos olhos agora. E tudo que eu sinto é o medo dentro de mim.
Eu vou passar? Eu vou sobreviver? Eu vou ser os três porcento? Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Perguntas, perguntas, eu preciso de respostas.