Acabei de ter uma epifania. Aconteceu entre o caminho da praia e o alfabeto. Descobri que dá para ser feliz assim, dá para ser feliz agora, dá para ser feliz toda hora.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Verde
Quando eu era criança, lembro de querer muito parecer madura. Gostava de sentar com os adultos, conversar sobre coisas importantes, ouvi-los dizer o quão mais velha eu parecia. Parei de brincar muito cedo e com oito anos decidi que era muito velha para McLanche Feliz.
Lembro de repetir para mim mesma "é isto que eles querem ouvir" ou "é isto que você deve fazer". Gostava de olhar a vida como um seriado, gostava de pensar que eu era parte importante dele. Nunca entendi por quê. Nasci com o defeito de ser assim.
Sinto falta do que eu pulei, porque eu queria ser criança agora. Queria poder ser irresponsável, chorar minhas pitangas sem ninguém me criticar. Queria não ter o peso da quase perfeição nas costas. E, mesmo com as circunstâncias, a culpada disto tudo não é ninguém que não eu.
Não sei o que se percebe por fora, mas dentro eu não passo de uma manga verde.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Primeiros passos
É tão estranho sentir começar agora. Como se só agora fosse me dada a ordem "ação" e eu tentasse me lembrar das falas que tanto decorei. O dia começou as sete, mas eu só levantei as dez e com uma dor de cabeça forte.
Um tanto mimada, só agora eu percebi. Doeu muito receber um não. Doeu, mas não matou. E é importante valorizar viver. Não adianta ganhar o que não se sabe administrar, criança. Não adianta porque assim se desperdiça. Então eu engulo o choro e admito "talvez seja melhor assim".
E apesar do orgulho ferido, dos olhos inchados, já é hora de criar humildade e superar. Seguir em frente rumo ao sonho, rumo ao infinito.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Já era hora de você saber o que fez a mim
Respira fundo. Olha para suas mãos, não em seus olhos. Decide falar, não consegue mais manter. Sempre quis saber o que fui para você. Há algum tempo, pensei ser amizade. Se tivesse que definir hoje, eu diria plano b. Não tinha nada de melhor ao redor, então fui eu mesmo, não é? Tudo bem falar a verdade. Bom, para mim foi diferente. Você foi uma espécie de herói, modelo. Nunca notei o quão estúpido isto era.
Pelo começo, eu diria que não foi bom. Mas foi. Foi porque eu nunca percebi, ou preferi me esconder, o mal que você me fazia. Sinceridade é boa quando acompanhada de bom senso. Agora tudo o que acho é que você sempre viu algum prazer em me ver para baixo. Me faz questionar se é o mesmo que fazem com você. Enquanto eu, só cuidados. Não quero me fazer de vítima, pergunte a qualquer um e eles vão dizer. Todos viram, menos eu.
E quando tudo foi novo, nada de diferente. Eu não tive nem a audácia de ser egoísta. Tudo vinha carregado de medo. Pra quê? Finalmente distantes e você não se importa. Nunca se importou. Me rotulou como um personagem sem graça e eu aceitei quieta.
Hoje eu vi aquele personagem diferente, apesar de me sentir igual. Talvez eu tenha percebido que não é a sua opinião que basta, não é a sua opinião que conta. A de ninguém, na verdade. Posso ser tudo que você me acusou, mas não apenas. Tinha lágrimas. Levantou os olhos e não disse nada. Talvez eu só esteja precisando de alguém para culpar.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Underwater
Não sei quando, mas em algum momento da minha vida, por razões que eu ainda desconheço, perdi certo contato com a realidade. Como se um dos fios que me conecta tivesse sido cortado e me permitido flutuar. Como se eu tivesse mergulhado e nunca mais emergido. Permaneço suspensa, em apneia.
Incompreensível até para eu mesma. Uma culpa amarga vai perguntando por quê. Por que abrir os olhos e duvidar de tudo? Por que viver tanto só para dentro de você? Tão dentro que nem você é você mesma. Tão dentro que um dia até você vai se perder. E o medo frio. Medo que me aplaca, anestesia todas as vezes que eu enxergo mas não vejo. Não vejo laços, não vejo pessoas, apenas estranhos. Até mesmo aquela do outro lado do espelho.
Cinco, dois, três segundos até eu me convencer e então tudo segue seu curso outra vez. Só que aquele tempo é o bastante para me fazer perguntar questionar outras horas o que há de errado. Porque, lá no fundo, quando eu volto o gosto é plástico. Plástico sabor mentira.
E, de todos os mundos que existem em minha cabeça, o que eu menos acredito é exatamente o que eu vivo. E a fé que esquenta meu coração é a unica insanidade absoluta. Existirá um meio termo? Ou eu posso parar de lutar contra minha gravidade e finalmente me entregar a minhas divagações? O silêncio é quase o mesmo de nossas conversas.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Sobre chamas e velas
O que seria? A unica certeza, a pungente dúvida? Aquilo que acontece fora da minha janela, que eu vejo pela televisão. Na maior parte do tempo, deixo ser. Esquecendo que o coração fica mais cansado a cada segundo e que cada segundo é um adeus. Até ficarmos sóbrios do finito e bebermos para fingir que fazemos, para fingir que vemos, vivemos.
Eu só queria te entender ao invés de perder. Sentir que estou avançando em alguma coisa ou direção. Não pensar que tudo é erro. Só que alguém transviou meu manual e eu me perdi. Me perguntei como deve ter sido para alguém se esvair conscientizado, agora só consigo pensar em mim. O tempo de uma vida é nada e ainda assim é tanta coisa. E isto me confunde, dois pesos e duas medidas. Ainda espreita o fantasma do definitivo final.
Não quero que minha estrada chegue ao fim e sinto que serei atropelada no meio dela. Será que só assim se encontra tempo para olhar para o céu?
sábado, 10 de dezembro de 2011
Maré
Estou pulando de meu pequeno barco. Primeiro por diversão, mas a maré está alta, quase fora de meu alcance, e me leva para longe. Oscilo entre as ondas, o mar e o ar. O sal rasgando minha garganta.
Onde estão as mãos para me trazerem de volta? Não existem. Melhor ficar mesmo no mar. O coração navegador obedece a ode, aponta para fé e rema. Mas é muito mar, tanto mar e maresia. Tão fácil desistir. Só que para onde voltar? Só tem mar.
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