A vida por aqui é lenta. Não tem barulho, movimento, buzina, fumaça, caos, ignição. A vida aqui estimula a fantasia, mas nunca as torna realidade. Estamos sempre reclamando do mesmo vento, indo aos mesmos lugares para passar o tempo...
sexta-feira, 23 de março de 2012
quinta-feira, 22 de março de 2012
Oscilar
Nunca estamos felizes. Nossa mente, nossa perfeita máquina do tempo, nos guia para trás e para frente num balanço suave, mas enjoativo. Um pêndulo que nunca pára no meio que é exatamente onde deveria estar. Presente é só o nome, porque, na verdade, estamos todos perdidos. Seja a frente ou atrás. Todos nós caminhando, correndo, urrando, sussurrando, batendo, apanhando, mas abstentes. Sempre ausentes.
Vou para frente por não ter herois suficientes para olhar atrás. Meu interesse é superficial e eu nunca quis mergulhar em alguém. As semelhanças me encantam, mas basta. Somente a loucura me atrai e o passado já é um velho conhecido.
Por isto, escolho o futuro, o finito infinito, o provável improvável, o mais certo incerto. Nele tudo pode porque ninguém sabe ao certo o que será. Mal sabemos se haverá. Vivemos pela chance de sim, petulantes o bastante para ter a certeza de possuí-lo, e as vezes - Deus perdoe nossa audácia -, governá-lo.
O problema é que o futuro vira presente e então passado sem corresponder ao sonho que sonhei. Talvez porque eu apenas me contentei em somente ter um sonho e/ou sou covarde e insuficiente de quebrar as correntes que separam da vida que quero para mim. E fica para outro futuro e outro futuro até que todos se esgotem. Sobra então a morte, sua certeza e seu medo cru. E mesmo lá, irei inventar um futuro mais ameno numa suposta reencarnação.
O relógio - infeliz, feliz e realmente - não tem treze horas. A hora de acordar é agora e a de viver também. Abusar. Dar a si mesmo o prazer de ter prazer. Não com obrigação, irresponsabilidade ou culpa, mas com verdade, sonho, realidade, humanidade. Largar a gaiola, a que você construiu e a que construíram para você. Porque no final é você quem vai ter de lidar com o preço de suas próprias escolhas. O pêndulo ondula, mas nunca pára. Assim como o tempo que passa, mas nunca volta.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
I wanna share my sadness and maybe then it'll stop killing me. I'm tired of crying silently, keeping all my words to myself and saying just what you wanna hear. I'm tired of being your projection. I'm tired of not being myself.
Happiness seems to be so far now. Beyond the hills, after a thorn path that i no longer feel able to go across. I'm drowning and it's so easier to surrender...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Habitat
To me sentindo perdida, tanto quanto sempre estive, mas agora de alguma forma é diferente. Como o morcego que eu vi voando a noite, perdido porque ainda estava claro. Parece que eu nunca vou achar um lugar pra me encaixar, para pertencer.
Então eu penso que talvez eu esteja tentando aperfeiçoar demais as coisas, só que eu sei que não. Se fosse certo, não seria assim. A gente sabe lá no fundo quando as coisas estão no lugar e agora não é o caso. É confortável, mas não é aqui.
Não sei mais o que fazer e tenho medo de passar a vida procurando e nunca achar. Um lugar que me segure, me assegure, seja lar. Um lugar no qual eu seja bem vinda porque o mundo só me tem feito sentir estrangeira e eu já estou cansada de nunca conseguir me comunicar.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Novidade
Acabei de ter uma epifania. Aconteceu entre o caminho da praia e o alfabeto. Descobri que dá para ser feliz assim, dá para ser feliz agora, dá para ser feliz toda hora.
Verde
Quando eu era criança, lembro de querer muito parecer madura. Gostava de sentar com os adultos, conversar sobre coisas importantes, ouvi-los dizer o quão mais velha eu parecia. Parei de brincar muito cedo e com oito anos decidi que era muito velha para McLanche Feliz.
Lembro de repetir para mim mesma "é isto que eles querem ouvir" ou "é isto que você deve fazer". Gostava de olhar a vida como um seriado, gostava de pensar que eu era parte importante dele. Nunca entendi por quê. Nasci com o defeito de ser assim.
Sinto falta do que eu pulei, porque eu queria ser criança agora. Queria poder ser irresponsável, chorar minhas pitangas sem ninguém me criticar. Queria não ter o peso da quase perfeição nas costas. E, mesmo com as circunstâncias, a culpada disto tudo não é ninguém que não eu.
Não sei o que se percebe por fora, mas dentro eu não passo de uma manga verde.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Primeiros passos
É tão estranho sentir começar agora. Como se só agora fosse me dada a ordem "ação" e eu tentasse me lembrar das falas que tanto decorei. O dia começou as sete, mas eu só levantei as dez e com uma dor de cabeça forte.
Um tanto mimada, só agora eu percebi. Doeu muito receber um não. Doeu, mas não matou. E é importante valorizar viver. Não adianta ganhar o que não se sabe administrar, criança. Não adianta porque assim se desperdiça. Então eu engulo o choro e admito "talvez seja melhor assim".
E apesar do orgulho ferido, dos olhos inchados, já é hora de criar humildade e superar. Seguir em frente rumo ao sonho, rumo ao infinito.
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