sexta-feira, 26 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
Os últimos dias estão cercados de adeus e eu me vejo chorando por conhecidos estranhos. Porque é injusto que as coisas sejam assim. Crianças não deveriam conhecer a dor. Jovens não merecem morrer. Gente que a gente ama deveria ficar para sempre aqui. A morte é a prova concreta de que a vida não é justa e nem nasceu pra ser.
E não é estranho que eu só reconheça a sua existência quando você não existe mais? Mesmo quando a gente se conheceu, eu não pensei em você até agora. E é horrível como dói. Pensar em quem esta dor se repete todos os dias, milhares e milhares de vezes. Pensar que um dia eu vou causar e sentir esta dor também.
No silêncio, ecoa a lição: a gente não é para sempre. E, como diria minha vó, para morrer basta estar vivo. Daqui a pouco, as lágrimas secam e, mesmo que não, a vida vai continuar a seguir. Planejar, estudar, cegar, pra quê? Nos lotamos de coisas pra matar o tempo, vamos esquecendo de viver. Ou nos penitenciamos pra um dia fechar os olhos e ver. Eu continuo perguntando: pra quê?
Estes dias deixaram muito claros a sazonalidade e frivolidade de tudo.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Hoje
Nos meus lábios está pregado um sorriso. Um sorriso seu. E, pela primeira vez, não compreendo quem é triste e nem tento entender. Estou perdida e achada em você. Na sua velocidade, no seu barulho, intensidade. Vamos colocar fogo no mundo. Seu brilho ardendo em mim.
Nunca senti algo tão intenso e visceral. O sonho que eu posso tocar. O sonho que eu posso viver. O encontro entre dois mundos que um dia pareceram tão distantes. Você é tangível. Eu estou aqui. Eu estou agora. Poderia te comer pra te guardar em minhas veias. Nenhuma memória é suficiente pra guardar esta plenitude. Em minha mente, só a melodia de hoje.
A polícia, o guitarrista, os turistas, o trem. Você. Eu. O vento frio que seca minhas lágrimas. E eu que achava ser peça perdida, encontrei um lugar pra me encaixar. Mais um tecido colorido na sua colcha de retalhos.
Minha primeira e maior história de amor. Sigo rindo, dançando na estação. Farewell, baby... I'll be back soon.
domingo, 29 de julho de 2012
O baú, a máquina e o mistério
De vez em quanto a vida atola. Acho que eu estou assim de novo. Folheando o livro para trás e para frente, enrolando um pouco no monólogo chato do agora. Não sei se é coisa que eu aprendi na terapia, sei que estou tentando em tudo. Entre mortos e feridos, é eficiente nos estudos.
Acho triste perceber o bege amargurado de tudo. Dos poucos anos de olhos perdidos numa doutrina sufocante aos dias de copos de coragem. Ainda não descobri o que falta, mas até acho que estou um pouco mais feliz. Só sei que hoje não sou nem um pouco o que esperava ser ontem e isto me dá esperanças para o amanhã.
A miopia dos olhos funciona pra alma e eu não coloco os óculos para ler meus próprios avisos. Continuo seguindo a vinte quilômetros por hora e lá fora, a velocidade da luz. De vez em quando, o susto das batidas me acorda e eu tento seguir mais um pouquinho, mas depois me contento que nasci para ser assim. O que é legal quando se é Woody Allen, Schopenhauer ou Bukowsi. E fica bem mais chato e menos poético quando posto a prova.
No entanto, será que adianta mudar? Mudei tantas vezes e continuo a mesma. Ainda assim, tão diferente. Pensar no caso arrasta perguntas e histórias para quais ainda não achei resposta. Nem acho que vá achar. Vou seguindo em marcha lenta para depois ver no que dá.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Destopia.
Os gritos são eco de um passado. Da minha janela, assisto a procissão de meninas nuas. E o que dizem, eu não entendo. Não é uma língua estrangeira, é o silêncio. Porque não há causa senão causar. Me explique, querida, suas propostas. Se é que você as tem.
O problema é que tudo parece muito forçado. A alternativa foi por água abaixo e a tentativa parece opressão. Porque você carrega os seus livrinhos, porque você quer se separar da massa burra, então vamos declamar por aí nossos falidos discursos vermelhos. Vamos falar, mas não entender ou fazer, revolução. Nós nem entendemos o que vivemos, os ventríloquos que somos.
Segue o silêncio. Segue a mentira. Cresce a desilusão.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A mesma tempestade
Estes dias. Estes dias em que cabem anos. Estes dias que amanhecem sem promessas e terminam cheios de histórias. Estes dias que guardam o ontem, hoje e amanhã.Estes dias.
Em quinze minutos, vinte anos de pensamento. Em quinze minutos, uma vida de insegurança. Em quinze minutos, a tentativa de felicidade. Em quinze minutos, legalidade. Eu digo não. E a maré mansa testemunha minha tempestade.
As lágrimas fluem por ontem, hoje e amanhã. Por não poder fazer nada, pouquíssima coisa, àqueles que se quer bem. Seria um erro? Não, tentar nunca é. Mas é errado investir no que já não deu certo. Nos dois lados.
Três dias e a porta aberta. A meia noite, uma nova história que o final só outros dias poderão dizer...
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Dois pontos
Porque eu gosto de explicar. Porque eu preciso entender. A vida é muito cheia de vírgulas para o nosso bem. Alguém precisa ficar atrás para contar as pedras do caminho, mais que isto, perguntar por quê.
Sem ponto definitivo, nem tudo é linear. Ponto e vírgula, dois pontos, pra enumerar uma sequência de fins que sempre acabam em continuação. E repetem.
Somos todos prosa. Poesia daquela mais barata.
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