sábado, 15 de dezembro de 2012

Se o mundo acabar semana que vem

Tudo encontra um fim, mas nem sempre uma conclusão. Acho que toda vida, até mesmo as mais bem vividas, acaba como um destes filmes aberto a interpretação. Aquele em que o peão roda, que a arma aponta mas não dispara. Toda esta história de que cada fim é um novo começo, questão de ponto de vista. E que cinema é arte, não entretenimento.
Enfim, quando a gente termina, não dá bem  pra escolher o fim. Mesmo se suicídio. Porque não somos vítimas da circunstâncias, mas dos nossos próprios demônios e não há oração que nos livre. 
Se o mundo acabar semana que vem, escolho o final de um filme. Não porque se pareça comigo ou com qualquer mensagem maior que eu queira representar; Só se trata de meu final favorito. 

-You know, i've been thinking.
-Yeah, boss?
-Seems to me... it's better to die a good man, than live as a monster. Don't you think?

domingo, 9 de dezembro de 2012

Síndrome

A gente é velho e usa palavras de ontem para tentar predizer o amanhã. Somos nós os utópicos. Ou iludidos, porque diante de todas os fatos ainda não conseguimos ver. Vai ver apenas confusos. Vamos tentando nos ajeitar a moldes que já não nos cabem.
O futuro é colapso, o presente é caos e o passado é frio. No que confiar, que caminhos seguir? Murmuramos cantigas antigas, de letras esquecidas e que faltam ao contexto. Mas lembramos e somos o máximo. O sistema não cai porque o sistema é você. E o sonho, amigo, o sonho acabou. Não é irônico que o dragão vermelho carregue o dinheiro? Aquelas dez pilas que você gastou na camisa do Tche.
É daí que sai o silêncio. O silêncio destes que vão pelas ruas entoando hinos em vão. Não que não seja válido, mas em nome de quê? Não é que eu seja burro, marionete ou qualquer coisa, eu só não vejo por quê. E, fale a verdade, nem você. Caminhamos num sistema sem solução.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Semana passada me disseram para falar sobre o tempo e eu não soube dizer. Ironicamente, fiquei sem tempo de descrever o que eu realmente pensava. Se é que eu pensava. Afinal de contas, o tempo passa e isso não é digno de atenção. Ou é, sei lá. Vai ver o tempo passando é mais um elefante no canto da sala que a gente ignora enquanto der. Eu realmente não sei.
Só sei que eu queria voltar no tempo porque agora eu sei a resposta. Ao menos acho que sei, para essa e outras perguntas. Acontece que não dá. Então eu perdi tempo semana passada e estou perdendo agora. Sei lá. A gente não pensa direito quando quer fazer o relógio parar ou voltar ou adiantar. Passei um bocado da vida nessa aflição.
E agora dói; Pela vida, pelo ano, pela semana e pela hora. Dói e só.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Sexta-feira, às 17:15

"A vida inteira que poderia ter sido e não foi" (Manuel Bandeira)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eu não estou triste

E isto é tanta novidade que vale a pena registrar.

sábado, 20 de outubro de 2012

Os últimos dias estão cercados de adeus e eu me vejo chorando por conhecidos estranhos. Porque é injusto que as coisas sejam assim. Crianças não deveriam conhecer a dor. Jovens não merecem morrer. Gente que a gente ama deveria ficar para sempre aqui. A morte é a prova concreta de que a vida não é justa e nem nasceu pra ser. 
E não é estranho que eu só reconheça a sua existência quando você não existe mais? Mesmo quando a gente se conheceu, eu não pensei em você até agora. E é horrível como dói. Pensar em quem esta dor se repete todos os dias, milhares e milhares de vezes. Pensar que um dia eu vou causar e sentir esta dor também.
No silêncio, ecoa a lição: a gente não é para sempre. E, como diria minha vó, para morrer basta estar vivo. Daqui a pouco, as lágrimas secam e, mesmo que não, a vida vai continuar a seguir. Planejar, estudar, cegar, pra quê? Nos lotamos de coisas pra matar o tempo, vamos esquecendo de viver. Ou nos penitenciamos pra um dia fechar os olhos e ver. Eu continuo perguntando: pra quê?
Estes dias deixaram muito claros a sazonalidade e frivolidade de tudo.   


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Hoje


Nos meus lábios está pregado um sorriso. Um sorriso seu. E, pela primeira vez, não compreendo quem é triste e nem tento entender. Estou perdida e achada em você. Na sua velocidade, no seu barulho, intensidade. Vamos colocar fogo no mundo. Seu brilho ardendo em mim. 
Nunca senti algo tão intenso e visceral. O sonho que eu posso tocar. O sonho que eu posso viver. O encontro entre dois mundos que um dia pareceram tão distantes. Você é tangível. Eu estou aqui. Eu estou agora. Poderia te comer pra te guardar em minhas veias. Nenhuma memória é suficiente pra guardar esta plenitude. Em minha mente, só a melodia de hoje. 
A polícia, o guitarrista, os turistas, o trem. Você. Eu. O vento frio que seca minhas lágrimas. E eu que achava ser peça perdida, encontrei um lugar pra me encaixar. Mais um tecido colorido na sua colcha de retalhos.
Minha primeira e maior história de amor. Sigo rindo, dançando na estação. Farewell, baby... I'll be back soon.