domingo, 16 de março de 2014

O tempo passa, ainda te amo. Eu um dia me iludi que fosse acabar, mas fica. Se eu pudesse escoar para letras e depois queimar, deixar ir, eu o faria. Deus sabe como tentei. Essa obsessão é teimosia. Não morro, não vou embora. Eu Tântalo - te vejo, te desejo, qualquer pouquinho de você. Só para definhar na impossibilidade de ser.
Ainda assim, esperança. É mais fácil me convencer o utópico que me condescender a realidade. Talvez eu só sonhe demais. Talvez otimista de menos.
Tudo o que sei é que no meio da dança arrítmica do meu coração, é você quem ainda toca a música. E eu, já para lá de enjoada, para lá de cansada, perduro na dança de te ver distante e amargar por dentro. De escolher errado porque, dentre outras coisas, antes de tudo escolhi você. Por quê? Tudo porque eu queria conjurar este amor.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Os buracos na estrada dos tijolos amarelos

As vezes nós erramos pelos motivos mais tolos. As vezes, nem bem errar, mas só se prestar ao desnecessário e/ou acessório. Perdi as contas de quantas vezes caí nesta rede e, ainda que já não as saiba contar, meu cérebro se encarrega de repeti-las como se gostasse de me infligir o embaraço de revê-los, erros de ontem ou de anos atrás.
E, no entanto, não me arrependo. Não, desta culpa não morro. As vezes, olho para trás e não me reconheço, mas tudo bem porque já não sou aquela quem jaz ali. A gente muda, a gente cresce e, se foi aquele caminho qual me trouxe aqui e me guiou a hoje, como desejar que ele não existisse? A estrada dos tijolos amarelos está mais para alguma BR - alguns buracos, alguns trechos bons, eventuais pedágios e engarrafamentos. Mas como apreciar os bons caminhos senão tendo passado por piores? E ainda, a estrada e a vida são minhas e são belas, apesar de suas curvas e inconstâncias. 
Não me arrepender hoje não quer dizer repetir os mesmos erros amanhã. Não me arrepender hoje é assumir meus desvios e aprender com eles. Nunca deixei de fazer algo que quis, porque isso sim seria uma grande perda. O resto é estrada e história, seja para lembrar com um sorriso ou tentar perder no tempo. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sem peso

A coisa mais linda de se carregar em malas é a vontade de aventura e um bocado de saudades. Memórias para ir e reminiscências para as quais voltar. E tudo de novo, cada vez mais cheio e cada vez com mais lugar.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Fantasma

Eu não preciso que você ou qualquer um me diga que não te amo. Eu sei que, seja lá o que amo, está em minha cabeça, não em você. O problema é que não vai embora. Não morre, não sai daqui.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Jukebox

I see you rushing now
Tell me how to reach you 
I see you rushing now 
What did harvard teach you?

(Sea of Love - The National)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O céu ilumina o nascer de outro chance. A procissão de otimismo, o ar elétrico de esperança e os pulmões cheios de vontade. É um outro dia, a fantasia de dias melhores. Que me trará esta maré?
Eu sei o que já me trouxe e me deixou aqui, sorrindo de novo ao saudar outro ano que vem. E a meia noite, meus desejos se calam e toda minha alma explode e arranha o céu esperando criar o risco bonito dos foguetes e conseguir agradecer a Deus. Eu tenho tudo o que eu preciso e talvez mais do que mereço. Obrigada. Todos os dias, até os enfadonhos, foram repletos de desejos que são realidade. Obrigada. Por todos os lugares que eu fui e todos que eu ainda vou. Obrigada. Por cada vez que eu olhei pro lado e tive alguém para me dar a mão. Meus amigos, os melhores do mundo. Obrigada. Por aqueles, que mesmo tristes de ver o passarinho deixando o ninho, ainda aprumam minhas asas para eu voar. Obrigada. Obrigada. Obrigada.
Ao que veio, ao que está e ao que vier. Obrigada.
Estou viva para ver outro dia e agradeço. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O amargo da mentira me brinda os lábios. Irrompe por minha garganta e queima em minhas entranhas. Um rio intermitente que engole suas margens refrescando as feridas secas de minhas várzeas. Há dia de flores, há dias de dores.
A gênese que não é ardor, senão frio. E todo ruído ressoa e retumba o refluxo da endrômina em mim. As gotas que molham, secam e irrigam mais uma vez velhos caminhos. O que será do fruto do terreno acidulado? 
O ciclo ininterrupto de vida, não perfeição. Cabe enxergar o sol além da seca, ainda que o barro ferva. Há dia de flores, há dia de dores; e mais importante, há amanhã.