Quanto mais ouvido,
mais silêncio.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
"Esperei o médico, enquanto me perguntava se devia me mandar dali. Eu
sabia que o que eu estava fazendo era ilegal – em Massachussetts pelo menos,
porque o estado era abarrotado de católicos –, mas a dra. Nolan me disse que
esse médico era um velho amigo dela, além de um homem sábio.
- Qual é o motivo da consulta? – quis saber bruscamente a recepcionista,
vestida num uniforme branco e riscando meu nome numa lista.
- Como assim, o motivo? – Eu esperava que só o médico fosse me perguntar
aquele tipo de coisa. A sala estava cheia de outras pacientes esperando por
seus médicos, muitas das quais estavam grávidas ou com bebês de colo, e senti
seus olhos em minha barriga reta e virginal.
A recepcionista me encarou, e fiquei vermelha.
- Contracepção, não é? – ela disse, simpática. – Só queria saber quanto
vamos te cobrar. Você é estudante?
- S-sim.
-Então vai custar a metade. Cinco dólares, em vez de dez. Mando a fatura
para casa?
Eu estava prestes a dar a ela o endereço de casa, onde eu provavelmente
estaria quando a fatura chegasse, mas então imaginei minha mãe abrindo o
envelope e descobrindo o que era. O único outro endereço que eu tinha era a
caixa postal que as pessoas usavam para disfarçar o fato de que viviam numa
clínica psiquiátrica. Mas achei que a recepcionista fosse reconhecer o número,
então disse que era melhor pagar logo e tirei cinco dólares do rolo de notas na
minha bolsa.
Os cinco dólares eram parte do dinheiro que Philomena Guinea havia me
enviado como uma espécie de presente por estar ficando boa. Imaginei o que ela
pensaria se soubesse para que eu estava usando o dinheiro.
Sabendo ou não, Philomena Guinea estava comprando a minha liberdade.
- Odeio a ideia de ficar sob a tutela de um homem – eu havia dito à dra.
Nolan – Um homem não tem preocupação nenhuma no mundo, enquanto a possibilidade
de ter um bebê paira sobre a minha cabeça como uma espada, me fazendo andar na
linha.
-Você agiria diferente se não tivesse que se preocupar com o bebê?
-Sim – eu disse –, mas... – E contei à dra. Nolan sobre a advogada
casada e sua defesa da castidade.
A dra. Nolan esperou que eu terminasse, então explodiu numa gargalhada –
Propaganda! – ela disse, e rabiscou o nome e o endereço do médico num papel.
Folheei nervosamente um exemplar de Baby Talk. Rostos gordos e
brilhantes dos bebês sorriam para mim, página após página – bebês carecas,
bebês cor de chocolate, bebês com cara de Eisenhower, bebês rolando pela
primeira vez, bebês procurando por chocalhos, bebês comendo a primeira colherada
de alimento sólido. Bebês fazendo todas as coisas necessárias para amadurecer,
passo a passo, e encarar um mundo agitado e instável.
Senti um cheiro que era uma mistura de cereal infantil, leite azedo e
fraldas fedendo a bacalhau, e me senti infeliz e frágil. Como parecia fácil ter
bebês para aquelas mulheres! Por que eu era tão distante e pouco maternal? Por
que eu não tinha vontade de devotar minha vida a uma série de bebês gordos,
como Dodo Conway?
Eu ficaria louca se tivesse que cuidar de um bebê o dia todo.
Olhei para o bebê no colo da mulher à minha frente. Eu não tinha a menor
ideia da idade dele. Nunca consegui adivinhar esse tipo de coisa com bebês - por mim ele podia falar pelos cotovelos e ter vinte dentes atrás de seus lábios
rosados. Sua cabecinha oscilava sobre seus ombros – ele parecia não ter pescoço
– e ele me observava com uma expressão sábia e platônica.
A mãe do bebê sorria sem parar, segurando aquele bebê nos braços como se
fosse a primeira maravilha do mundo.
Fiquei encarando a mãe e o bebê em busca de uma pista que explicasse sua
satisfação mútua, mas, antes de ter chegado a uma conclusão, o médico me mandou
entrar.
- Você quer um contraceptivo – ele disse alegremente, e eu respirei
aliviada achando que ele não era o tipo de médico que fazia perguntas
embaraçosas. Eu tinha considerado a possibilidade de dizer a ele que planejava
me casar com um marinheiro assim que o navio dele atracasse no cais da Marinha
de Charleston, e que só não tinha um anel de noivado porque éramos muito
pobres, mas na última hora resolvi deixar essa história para lá e disse apenas
que ‘sim.’
Subi na mesa do exame pensando: ‘estou subindo rumo à liberdade. Vou me
libertar do medo, de me casar com a pessoa errada – Buddy Willard, no caso – só
por causa do sexo, daquelas instituições para onde vão todas as garotas pobres
que deviam ter usado contraceptivo como eu, porque o que quer que elas tenham
feito, elas acabarão fazendo de novo...’.
Voltei para a clínica com a minha caixinha embrulhada em papel pardo no
colo, como a sra. Fulana voltando de um dia na cidade com um bolo para a tia
solteirona ou um chapéu do Filene’s Basement. Aos poucos, minha suspeita de que
católicos tinham visão de raio X diminuiu, e fiquei mais à vontade. Eu tinha
aproveitado bem meu dia de compras.
Eu era dona de mim mesma."
(A Redoma de Vidro - Sylvia Plath)
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
When I let it sink in
The weights of whens and ifs
I can feel my skin bursting under it
Some smashed fruit on some dirty ground
Bugs crawling all over it
Feasting over death.
All the disquiet of the world screams to me
The shakes, the jitters, the shivers
Swiping the floor of my feet
And leaving me hanging
All there is are pangs.
Again and again.
And all the lips seems like laughs
And all the hands seems like punches
They are ready to take me down
They want to watch me fall
And I’m on the verge of it.
The weights of when
I can feel my skin bursting under it
Some smashed fruit on some dirty ground
Bugs crawling all over it
Feasting over death.
All the disquiet of the world screams to me
The shakes, the jitters, the shivers
Swiping the floor of my feet
And leaving me hanging
All there is are pangs.
Again and again.
And all the lips seems like laughs
And all the hands seems like punches
They are ready to take me down
They want to watch me fall
And I’m on the verge of it.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Está quieto. O seu coração, seus olhos,
seus braços, seu sorriso, sua dor. Tudo está em silêncio. E eu tenho medo de
rompê-lo para dizer que você se foi, porque todas as vezes que as palavras
deixam meus lábios o vazio fica mais concreto. A saudade aperta um pouco mais.
É tão mais fácil fingir que estamos como sempre a um fim de semana de
distância.
Te lembro nas pequenas coisas. Um brinco, um costume, um voto, um doce de coco. Tenho falta das pequenas coisas. Um abraço, um beijo, passar na sua casa antes de sair e ver se a senhora aprovava o meu figurino, de imitar os cultos da igreja com meus primos quando era criança só para a senhora ver. Tenho falta de conversar meus sonhos e objetivos, de sentir a senhora ali sonhando comigo. Mais que tudo, eu queria a senhora do meu lado para ver estes sonhos realizados.
Algum tempo se passou e eu ainda não sei descrever a dor da falta. Ligar para casa e não ouvir mais sua voz. Chegar em casa e não te ter ali. Ver algo que a senhora iria gostar e não poder mais te dar. Toda vez é te perder de novo, te perder mais um pouquinho.
Agradeço pelas lembranças. Do seu sorriso, da sua voz, do seu abraço. Agradeço por ter tido o privilégio de ser sua neta. Agradeço por ter tido o privilégio de aprender com você. Aprender a ter garra e coragem para correr atrás do que eu quero. Aprender a ter fé. Aprender que a família, ainda que não perfeita, é a coisa mais preciosa que a gente tem.
Em dias como hoje, vó, quando a saudade bate forte, são dias em que eu preciso acreditar que daí do lado de Deus a senhora consegue me ouvir dizer que te amo. Porque eu te amo muito, vó, e sinto a sua falta mais do que eu consigo explicar ou transmitir. Acho que nunca vou saber lidar com a despedida do físico, mas para sempre te levo comigo no meu coração e na minha alma.
Eu te amo, vó. E, não importa a distância de mundo ou de plano, isso nunca vai mudar.
Te lembro nas pequenas coisas. Um brinco, um costume, um voto, um doce de coco. Tenho falta das pequenas coisas. Um abraço, um beijo, passar na sua casa antes de sair e ver se a senhora aprovava o meu figurino, de imitar os cultos da igreja com meus primos quando era criança só para a senhora ver. Tenho falta de conversar meus sonhos e objetivos, de sentir a senhora ali sonhando comigo. Mais que tudo, eu queria a senhora do meu lado para ver estes sonhos realizados.
Algum tempo se passou e eu ainda não sei descrever a dor da falta. Ligar para casa e não ouvir mais sua voz. Chegar em casa e não te ter ali. Ver algo que a senhora iria gostar e não poder mais te dar. Toda vez é te perder de novo, te perder mais um pouquinho.
Agradeço pelas lembranças. Do seu sorriso, da sua voz, do seu abraço. Agradeço por ter tido o privilégio de ser sua neta. Agradeço por ter tido o privilégio de aprender com você. Aprender a ter garra e coragem para correr atrás do que eu quero. Aprender a ter fé. Aprender que a família, ainda que não perfeita, é a coisa mais preciosa que a gente tem.
Em dias como hoje, vó, quando a saudade bate forte, são dias em que eu preciso acreditar que daí do lado de Deus a senhora consegue me ouvir dizer que te amo. Porque eu te amo muito, vó, e sinto a sua falta mais do que eu consigo explicar ou transmitir. Acho que nunca vou saber lidar com a despedida do físico, mas para sempre te levo comigo no meu coração e na minha alma.
Eu te amo, vó. E, não importa a distância de mundo ou de plano, isso nunca vai mudar.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Amor, seu cheiro está na janela. Uma brisa calma e um tabaco usado por qualquer um, mas que para mim é seu. Só não sei se é fumo ou saudade isso que me aperta o peito.
Amor, os dias já foram melhores. Hoje os sonhos pesam e eu já não sei o que eu quero. Nada parece no lugar e a existência anda fria.
Eu lembro de você todo dia; queria mesmo era viver em você. Acho que assim eu gostaria um pouco mais de mim. Queria viver no ontem. Eu queria estar bem.
Por enquanto, brisa e duvida. Imagino o mar por detrás dos prédios e você em algum lugar ali. Um convite que nada mais é que silêncio e ainda assim grita em mim.
Amor, os dias já foram melhores. Hoje os sonhos pesam e eu já não sei o que eu quero. Nada parece no lugar e a existência anda fria.
Eu lembro de você todo dia; queria mesmo era viver em você. Acho que assim eu gostaria um pouco mais de mim. Queria viver no ontem. Eu queria estar bem.
Por enquanto, brisa e duvida. Imagino o mar por detrás dos prédios e você em algum lugar ali. Um convite que nada mais é que silêncio e ainda assim grita em mim.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Um jardim árido
I grew it on me.
However, the clock is
ticking.
Those fingers pushing
from within
Trapped into this
cage of bones
Trying so desperately
to be seen past this rotten flawed flesh
All this beauty
The softness that I could
never give
Smothers me (smothers
me so sweetly)
I swallow your cotton
down my throat
I keep gasping for
air
All this beauty
That I could never
keep
Cherish
Receive
It runs away and
leave me damaged
Craving for something
that never was.
Still…
I grew it on me.
The hope
The hunger
I grew it on me.
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