quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

-E eu gosto do para sempre porque é infinito.
-O infinito não é para você.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Agridoce

Convulsão. Convulsão de cores, amores, um enjôo que começa de um frio no estômago e repentinamente expele tudo. Os risos que escapavam dos seus lábios tornaram-se menos presentes, suas mãos começam a tremer de nervoso e o que era bom vira tortura. O desejo do início substituído pela ânsia do fim. E você encara as mãos sem saber mais onde segurar, perguntando o que há com você. Vê as pessoas apontarem, rirem, gritarem e o alerta toca de novo. Para fora já.
O baque. A realidade. Tropeçar e cair as vezes. Acordar. Se sentir mal por muito tempo antes de se jogar na mentira de novo. Fraca demais para continuar, dependente demais para prosseguir. Minha droga, serotonina, adrenalina martelando em minha cabeça. Não conseguir ficar sem você está me matando por dentro. Me deixando imatura como outro dia disseram, ainda que eu discorde. Tentar e não conseguir me mata mais ainda.
Digitando e compartilhando vidas que não senti na pele, mas que criaram fantasmas no coração. Vou ficando mal assombrada. Criando, sonhando, mentindo, mentindo... Mais para mim que para todo mundo. E ainda assim sabendo enganar muito bem.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Codinome

Eu provavelmente deveria esconder o quanto tenho pensado em você estes dias. Mas não se ache importante a ponto de estar tanto assim na minha cabeça, é só que quando me distraio o pensamento voa e passa por você. Por seus lábios, seus cabelos, seu rosto e tudo que eu queria ver. Sem nenhuma palavra trocada, nenhuma ilusão criada, apenas um pensamento bonito para alegrar o dia. Para fazer pensar que por aí ainda tem coisa boa. Para dar gana de conhecer mais alguém.
Também não pense que você é o único, porque não é. Tenho sido boa em encontrar beleza e graça por aí, mesmo quando os olhos que estão rastreando não são os meus. Nem acreditei quando me vi sob sua mira. Dois glóbulos azuis me fitando tão intensamente que me fizeram corar. Arrastavam uma tempestade que me atraiu de volta... E agora me faz pensar neste detalhe e nada mais: O que você teria visto na confusão dos meus? Cedo e tarde demais.
No entanto, o que me faz sentir bem lá no fundo é perceber que, na verdade, eu não me importo. Interesse supérfluo e barato, estupidamente sazonal. Sendo num sotaque adorável, num charme, num mistério, vai e vem que eu nem sinto. Sinto tão pouco que nem gravo os nomes, vou colocando codinomes para identificar. Só não sei o codinome para o que eu estou sentindo. E não quero saber, só deixar estar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quotes

Eu acredito muito pouco nos compromissos, eles deixam de existir quando deixamos de acreditar neles.

Mas a vida continuava a ser vida, sempre e de qualquer forma.

Para mim é difícil ser de alguém, não sou nem de mim mesma.

Tem dias que não sei se devo parar de respirar definitivamente ou se fico em apnéia durante todo o tempo que me resta.

O fato de nunca ter feito não quer dizer que seja errado.

O amor, o que procuro desde sempre, às vezes me parece tão distante, tão diferente de mim...

Mas então, por que sinto tanto medo?

Será que um dia vou conseguir retribuir toda essa beleza?

(Todos de "Cem escovadas antes de ir para cama" - Melissa Panarello)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Veneno que eu tomo querendo que o outro morra.

Sentada aqui, sinto tanto ódio que não sei mais discernir de que. Se é de você, se é de mim, se é deles... Mas acho que é de você. Por me fazer sentir miserável, pouco, não o bastante. Já desisti de me perguntar o por que desta necessidade de agradar, a resposta é esta. E no final eu descubro que te odeio. Te odeio com todas as forças que tenho em mim. Até sem razão. Só não deixo de odiar por isto. Você me arrasta para o meu maior temor e eu te odeio.
E falar isto libera um pouco do ódio, embora não vai ajudar em nada. Porque depois vai ficar tudo bem. Vai tudo para caixa forte de novo, até eu não aguentar e covardemente vazar em lágrimas. E então eu me pergunto por que me submeto a isto tudo, a mesma resposta. O ódio cresce. Eu não preciso disto, mas estou aqui. Infla. E as cobranças, risadas, escárnios sem ligar. Explode.
Não era amor, era cilada. Não era amizade, era nada.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Música.

Umas notas juntas. Uns acordes num ritmo. Uma voz acompanhando a melodia. Pulsa o coração, fecham-se os olhos, balança o corpo, esvazia-se a mente de receios para enchê-la de memórias e pequenos futuros...
Você sorri, você chora, você brinca, namora, sua, soa. Uma pequena vida com trilha sonora. Ver você mesma como um filme dentro da sua cabeça. E dançar. Não ligar. Não se arrepender. Sorrir ainda mais e deixar viver sem medo, sem preocupação. Correndo de sim e não. Aqui e agora, embalada pelo ritmo, pelo sorriso. Sem verdade, sem mentira, sem ídolo e ideologia. Vivendo a noite em slow motion. Abrindo os olhos e recomeçando a cada manhã.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A lenda

Ontem, sentada em frente a minha TV relembrando um dia que eu não estava viva para ver, senti meus braços vazios. Senti-me parte dos semblantes desolados, dos olhos inchados, dos incompreensivos. E me perguntava por que as pessoas que valem a pena sempre parecem morrer bem antes do que deveriam, sem ninguém para responder.

Eu gostaria de dizer que você permanece entre nós. Melhor, como eu gostaria que isto fosse verdade. No entanto, não é. Há trinta anos não vem sendo. Mas posso dizer que as sementes que você plantou vêm crescendo em corações que nem estavam prontos quando o seu parou. Eu imagino um mundo melhor sabendo que tudo que nós precisamos é amor; Você ensinou. Sermos orgulhosos sonhadores até que o mundo seja um.

Te desejo que onde quer que esteja e se estiver, que tenha encontrado aquilo pelo que lutou. Que tenha encontrado paz.