quarta-feira, 20 de junho de 2012

A mesma tempestade

Estes dias. Estes dias em que cabem anos. Estes dias que amanhecem sem promessas e terminam cheios de histórias. Estes dias que guardam o ontem, hoje e amanhã.Estes dias. 
Em quinze minutos, vinte anos de pensamento. Em quinze minutos, uma vida de insegurança. Em quinze minutos, a tentativa de felicidade. Em quinze minutos, legalidade. Eu digo não. E a maré mansa testemunha minha tempestade.
As lágrimas fluem por ontem, hoje e amanhã. Por não poder fazer nada, pouquíssima coisa, àqueles que se quer bem. Seria um erro? Não, tentar nunca é. Mas é errado investir no que já não deu certo. Nos dois lados.
Três dias e a porta aberta. A meia noite, uma nova história que o final só outros dias poderão dizer...  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Dois pontos

Porque eu gosto de explicar. Porque eu preciso entender. A vida é muito cheia de vírgulas para o nosso bem. Alguém precisa ficar atrás para contar as pedras do caminho, mais que isto, perguntar por quê. 
Sem ponto definitivo, nem tudo é linear. Ponto e vírgula, dois pontos, pra enumerar uma sequência de fins que sempre acabam em continuação. E repetem.
Somos todos prosa. Poesia daquela mais barata. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vicioso

Acho que meus passos são lentos. Acho que eu ando em círculos. Porque, volta e meia, volto a você. E sou a mesma. 
Acho que a vida não passa. Tenho certeza que o amor não chega. Tentativas que eu nem sei como acabou. Se acabou. E você. E eu igual. 
Acho que você se parece com todo mundo e todo mundo se distingue de você. Provavelmente, te respiro. Você meu por cinco segundos.
Não há nada a ser dito, a ser feito. A imaginação engole a realidade e tem fome. O meu ser, tanto faz. Só você. Só você. E eu a mesma.  


domingo, 15 de abril de 2012

Ao que vai

Voa, amor, que o mundo já lhe deu asas. Antes, deixa comigo as ilusões prematuras que criou para si. E então voa. Voa em direção a suas histórias, seus sonhos...Tudo aquilo que um dia eu espero ouvir.
Dragão e guerreiro, herói e vilão da mesma e própria história. Mas já tens a Lua, amigo, de um jeito ou de outro. Nós dois nascemos deste defeito: um pé aqui e outro três metros acima do céu.
Mas mergulha sem medo e viva a vontade. Amanhã é amanhã e hoje é hoje e basta. Ainda não é depois e o que tens hoje nem é tempo, é pausa para reflexão.
Viva, menino. Viva, moço. Viva, senhor. Vá agora. Vá descobrir.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sinos

Suas palavras machucam meus ouvidos, mas sua voz é tão doce que eu não me importo, te suplico que continue a falar. Suas palavras escorregam por mim e cavam buracos. Sua mão continua apertando minha garganta me desafiando a te enfrentar, a falar mais alto, a te empurrar de mim. Meus pulmões não absorvem oxigênio e o mundo parece rarefeito. Em suspiros sôfregos, me perco na escuridão de seus olhos e não entendo o que eles dizem para mim. São belos. Continuo a afundar, a me perder. Sangro e meu sangue são seus versos. Desintegro, mas o coração ainda bate se negando a deixar a casca que somente existe. Você já usurpou o que tinha para levar.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Tudo tem acontecido muito rápido. Cedo demais já é tarde. Apagamos as linhas que escrevem nossa história, traçam nossos mapas e, por isto, nos perdemos no labirinto de ser. Cedo demais jogados aos leões e não temos nenhuma fé, porque não há deus que não nós mesmos, jovens e imbatíveis. Qualquer dia depois é relíquia. Nossos corpos permanecem os mesmos, é nossa alma quem apodrece.

Tempos de guerra

Bombas explodem do lado de fora de nossas cabeças. Não as vemos, apenas sentimos seus impactos. E não importa, desde que não sejamos nós a incinerar.
Os dias bonitos, eles se foram. O sol ainda não se pôs, mas vamos muito rápido para perceber seu brilho. Fechamos os olhos até ficarmos cegos, atrofiados.
E então? Nada mais interessa senão nós mesmos, nossos desejos e pseudo necessidades. Agora estamos muito contaminados para nos importar. Qualquer tentativa parece oca e é sempre silenciosa. Um ruído a qual não damos atenção porque emprestamos nossos ouvidos às bocas erradas.
Pensamos e queremos ontem, velhos rabugentos e amargurados. É tarde demais, já se passou muito tempo. Que valor tem a promessa dos sonhos se roubou nossa liberdade?