quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Hoje


Nos meus lábios está pregado um sorriso. Um sorriso seu. E, pela primeira vez, não compreendo quem é triste e nem tento entender. Estou perdida e achada em você. Na sua velocidade, no seu barulho, intensidade. Vamos colocar fogo no mundo. Seu brilho ardendo em mim. 
Nunca senti algo tão intenso e visceral. O sonho que eu posso tocar. O sonho que eu posso viver. O encontro entre dois mundos que um dia pareceram tão distantes. Você é tangível. Eu estou aqui. Eu estou agora. Poderia te comer pra te guardar em minhas veias. Nenhuma memória é suficiente pra guardar esta plenitude. Em minha mente, só a melodia de hoje. 
A polícia, o guitarrista, os turistas, o trem. Você. Eu. O vento frio que seca minhas lágrimas. E eu que achava ser peça perdida, encontrei um lugar pra me encaixar. Mais um tecido colorido na sua colcha de retalhos.
Minha primeira e maior história de amor. Sigo rindo, dançando na estação. Farewell, baby... I'll be back soon.   

domingo, 29 de julho de 2012

O baú, a máquina e o mistério

De vez em quanto a vida atola. Acho que eu estou assim de novo. Folheando o livro para trás e para frente, enrolando um pouco no monólogo chato do agora. Não sei se é coisa que eu aprendi na terapia, sei que estou tentando em tudo. Entre mortos e feridos, é eficiente nos estudos.
Acho triste perceber o bege amargurado de tudo. Dos poucos anos de olhos perdidos numa doutrina sufocante aos dias de copos de coragem. Ainda não descobri o que falta, mas até acho que estou um pouco mais feliz. Só sei que hoje não sou nem um pouco o que esperava ser ontem e isto me dá esperanças para o amanhã.
A miopia dos olhos funciona pra alma e eu não coloco os óculos para ler meus próprios avisos. Continuo seguindo a vinte quilômetros por hora e lá fora, a velocidade da luz. De vez em quando, o susto das batidas me acorda e eu tento seguir mais um pouquinho, mas depois me contento que nasci para ser assim. O que é legal quando se é Woody Allen, Schopenhauer ou Bukowsi. E fica bem mais chato e menos poético quando posto a prova.
No entanto, será que adianta mudar? Mudei tantas vezes e continuo a mesma. Ainda assim, tão diferente. Pensar no caso arrasta perguntas e histórias para quais ainda não achei resposta. Nem acho que vá achar. Vou seguindo em marcha lenta para depois ver no que dá.  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Destopia.

Os gritos são eco de um passado. Da minha janela, assisto a procissão de meninas nuas. E o que dizem, eu não entendo. Não é uma língua estrangeira, é o silêncio. Porque não há causa senão causar. Me explique, querida, suas propostas. Se é que você as tem.
O problema é que tudo parece muito forçado. A alternativa foi por água abaixo e a tentativa parece opressão. Porque você carrega os seus livrinhos, porque você quer se separar da massa burra, então vamos declamar por aí nossos falidos discursos vermelhos. Vamos falar, mas não entender ou fazer, revolução. Nós nem entendemos o que vivemos, os ventríloquos que somos.
Segue o silêncio. Segue a mentira. Cresce a desilusão.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A mesma tempestade

Estes dias. Estes dias em que cabem anos. Estes dias que amanhecem sem promessas e terminam cheios de histórias. Estes dias que guardam o ontem, hoje e amanhã.Estes dias. 
Em quinze minutos, vinte anos de pensamento. Em quinze minutos, uma vida de insegurança. Em quinze minutos, a tentativa de felicidade. Em quinze minutos, legalidade. Eu digo não. E a maré mansa testemunha minha tempestade.
As lágrimas fluem por ontem, hoje e amanhã. Por não poder fazer nada, pouquíssima coisa, àqueles que se quer bem. Seria um erro? Não, tentar nunca é. Mas é errado investir no que já não deu certo. Nos dois lados.
Três dias e a porta aberta. A meia noite, uma nova história que o final só outros dias poderão dizer...  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Dois pontos

Porque eu gosto de explicar. Porque eu preciso entender. A vida é muito cheia de vírgulas para o nosso bem. Alguém precisa ficar atrás para contar as pedras do caminho, mais que isto, perguntar por quê. 
Sem ponto definitivo, nem tudo é linear. Ponto e vírgula, dois pontos, pra enumerar uma sequência de fins que sempre acabam em continuação. E repetem.
Somos todos prosa. Poesia daquela mais barata. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vicioso

Acho que meus passos são lentos. Acho que eu ando em círculos. Porque, volta e meia, volto a você. E sou a mesma. 
Acho que a vida não passa. Tenho certeza que o amor não chega. Tentativas que eu nem sei como acabou. Se acabou. E você. E eu igual. 
Acho que você se parece com todo mundo e todo mundo se distingue de você. Provavelmente, te respiro. Você meu por cinco segundos.
Não há nada a ser dito, a ser feito. A imaginação engole a realidade e tem fome. O meu ser, tanto faz. Só você. Só você. E eu a mesma.  


domingo, 15 de abril de 2012

Ao que vai

Voa, amor, que o mundo já lhe deu asas. Antes, deixa comigo as ilusões prematuras que criou para si. E então voa. Voa em direção a suas histórias, seus sonhos...Tudo aquilo que um dia eu espero ouvir.
Dragão e guerreiro, herói e vilão da mesma e própria história. Mas já tens a Lua, amigo, de um jeito ou de outro. Nós dois nascemos deste defeito: um pé aqui e outro três metros acima do céu.
Mas mergulha sem medo e viva a vontade. Amanhã é amanhã e hoje é hoje e basta. Ainda não é depois e o que tens hoje nem é tempo, é pausa para reflexão.
Viva, menino. Viva, moço. Viva, senhor. Vá agora. Vá descobrir.