Um dias destes eu estava deitada e começou a chover. Achei estranho porque eu não lembrava de ter visto nuvens no céu. Então eu percebi que, na verdade, eu não tinha olhado o céu nenhuma vez aquele dia. Bateu aquela culpa de só estar sobrevivendo.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Marco Feliciano e o que eu penso.
Todo dia a gente é bombardeada
de coisa que não quer ver. Depois que inventaram rede social então, a vida é uma
compilação de informações desnecessárias sobre a vida dos outros e uma
exposição das nossas. E não falo isso achando bom ou ruim, só para constatar
mesmo.
É só que atualmente a coisa
ficou ainda mais chata. Toda esta palhaçada do Feliciano e etc... Muita gente
dando opinião e pouca gente parando pra entender mesmo o problema. Pensar a
questão além de seus preconceitos, seja homossexual ou religioso, conservador ou progressista. Esta situação
acaba gerando um ódio louco que só dificulta ainda mais qualquer discussão
racional e qualquer avanço. Sei lá, mas eu acredito que ouvir é importante.
Como disse um amigo meu, não se combate opressão sendo opressor.
Em minha opinião – e não as
divido como se fosse verdade universal, a panacéia para humanidade ou solução
absoluta, é só parte do que eu penso – Marco Feliciano deveria sim deixar a
presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Por quê? Sem querer ser
clichê, mas ele claramente não as representa. Como mulher, faço parte de uma
minoria. Uma minoria que, apesar de avanços com o tempo, segue sendo oprimida
de diversas formas. A violência doméstica, a cultura do estupro, o tabu que é a
legalização do aborto, salários mais baixos, enfim, são diversas questões que
afligem a mulher hoje em dia e que são faladas, mas raramente discutidas a
sério. No entanto, o presidente da comissão criada para representar e defender
os meus direitos critica e se diz contra reivindicações e conquistas de um
movimento criado para me proteger (http://oglobo.globo.com/pais/marco-feliciano-diz-que-direitos-das-mulheres-atingem-familia-7889259).
Sem dizer suas declarações absurdas contra negros e homossexuais, aos quais ele
também deveria defender. Como confiar a um homem desses o debate e defesa dos
meus direitos quando ele é claramente contra eles? Se a comissão trata dos meus direitos, não é importante que quem a presida e a componha sejam pessoas nas quais me vejo representada?
No entanto, não questiono seu
lugar na Câmara de Deputados. Afinal de contas, se ele está lá é porque foi
votado – assim como Romário, Tiririca e outras escolhas duvidosas (ressaltando
que são escolhas duvidosas no meu ponto de vista, que é meu e não necessariamente
vai de encontro ao que você pensa). Claramente o posicionamento dele representa
o pensamento de uma parcela da sociedade. Parcela esta que não pode ser
condenada por suas opiniões, por mais que elas pareçam retrógradas ao seu ponto
de vista, é a opinião dela e ela tem o direito de defendê-las e exprimi-las
tanto quanto você. Desde que o respeito exista, é claro.
Por outro lado, hoje vi alguém
compartilhar uma campanha defendendo a cassação do mandato do deputado Jean
Wyllys. Precisa dizer que o mesmo principio se aplica aqui? O cara pode não
defender o que você pensa, mas ele está defendendo os direitos de alguém. Foi
eleito e tem todo o direito de estar lá também. Lembrando que democracia não é
uma ditadura da maioria, mas garantir os direitos individuais e das minorias,
apesar de respeitar a vontade da maioria. Existe uma diferença. Além do mais,
caluniar alguém pra garantir seu ponto de vista é baixo. E, para os religiosos
de plantão, “não levantarás falso testemunho contra o seu próximo, nem mentirás”.
Um dos dez mandamentos, lembra? Confiram suas fontes antes de saírem compartilhando
besteiras.
Acho que se tem uma coisa boa
a ser tirada de todo este circo é que pelo menos a sociedade está discutindo a
questão homoafetiva no Brasil (ta, pode ser que não seja bem assim, mas eu
gosto de ser otimista). Pro bem ou pro mal, você liga a tv/o computador, é confrontado com todas estas notícias/pontos de vista e obrigado a pensar. Já é alguma coisa.
domingo, 3 de março de 2013
Estação
Eu encarava seus olhos. Foram
a primeira coisa a chamar minha atenção quando te conheci, seus olhos.
Espertos, curiosos, profundos. Traziam um enigma que eu me propus a desvendar.
A grama estava verde, o vento ameno, um raro dia de sol. Minhas mãos
entrelaçadas as suas, mas eu sentia frio. Você estava ao meu lado, mas eu me
sentia distante.
E eu encarava seus olhos
pensando que eram os mesmos que há dois anos eu vi. Encarava seus lábios
lembrando incontáveis vezes que o beijei. Olhava o seu cabelo, mudando de cor
com os raios de sol, balançando suavemente com a brisa da tarde; Pensei no seu
cheiro de perfume e cigarro que eu sentiria se me aproximasse o bastante. No
suéter de lã que eu odiava, porém você continuava usando, então eu acabei por
gostar. Eu ouvia a sua voz, animado por qualquer coisa – um filme, um trabalho,
um jogo – e sorria com seus dedos entre os meus, mas lágrimas se acumulavam em
meus olhos e fechavam minha garganta a qualquer palavra.
Continuava pensando: é ele, o
cara que você ama desde que conheceu naquela aula. O que segurou sua mão, com
quem você brigou e se reconciliou diversas vezes, com quem você se abriu mais
do que com qualquer outra pessoa no mundo, que te entende sem que você precise
falar, o cara que te faz sentir em casa não importa onde vocês estejam. Ele é o
mesmo cara.
Mas eu não sou a mesma. E, se
eu for ser sincera, você também não é. Dá para perceber pelo sorriso sem graça,
pela conversa vazia que rareia aqui e ali. Nós crescemos. A vida aconteceu e
não deixou espaço um para o outro. Um hiato que eu não vi nascer ou crescer,
mas está aqui.
Então eu olho para os dias em
que desejei ser para sempre... Era verdade. Só porque não é hoje, não quer
dizer que não foi um dia. Porque nós fomos feitos para estarmos juntos, não
quer dizer que vá durar para sempre. Eu ainda te amo, mas não mais desse jeito.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Agonia
A água gelada toca meu rosto de novo. Não
sei bem o que planejo alcançar quando repito o gesto, mas ao levantar os olhos,
encaro a mesma pessoa no espelho. Minha cadela tem este olhar meio perdido
quando se vê no espelho da sala. Neste instante, eu me olho como Frida.
Engraçado como a gente facilmente se esquece que somos meramente animais.
Lavo o rosto de novo. Vai ver depois da
quarta vez eu ache algo diferente. Não; É apenas mais da mesma coisa. A mesma
bagunça. Quem é você? O que quer? O que almeja? Visão política? Gosto musical?
Tamanho de roupa? Lugar preferido no mundo? Filme favorito? Um poema que te
descreva? Qual é o seu nome? De onde você vem? Para onde você vai? Perguntas,
perguntas, perguntas. Tantas perguntas.
O frio da água. O macio da toalha. A dureza
do chão sob meus pés. Sensações que me invadem sem que eu permita. O aperto no
peito que é apreensão de não saber o amanhã. Não tenho idéia para onde vou, mas
estou indo. Isto assusta. Não tenho idéia do que sinto, mas vou sentindo. Isto
dói. A gente vai pra frente, nem que seja se arrastando, porque tem que
acompanhar o mundo e é para frente que o mundo vai. E meu corpo amanhece ralado
das feridas do encontro ao chão.
Eu não sei o que eu quero, mas sei o que o
mundo quer de mim. Eu tenho que ir. Não sei se eu quero. Uma escola, um curso,
um emprego. Um homem, um filho, um amor. O que eu quero? O que eu quero?
Lavo o rosto de novo. Como se a água que
corre fosse me livrar das alienações de viver aqui. Fosse esclarecer minhas
vontades, o que eu sinto. Se é que ainda me é dado o direito de sentir. Sentir sem
que seja o que você quer que eu sinta. E você, quem é?
Viver, meu Deus, que diabos é isto?
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Carnaval
A gente caminha pelas ruas sem muito rumo, com um sorriso no rosto, coragem na mão. Anda por aí como qualquer gente. Só que a gente não se sente assim tão qualquer.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Areia
A gente começou para acabar. Fosse aquela noite ou esta semana. Uma lembrança bonita para manter na caixa do "se o mundo fosse perfeito". Uma memória amarga para as noites insones que tenho a frente.
De alguma forma, a gente dura para sempre. Mesmo que seja na categoria do que poderia ser mais não foi. Eu sei que vou reviver e viver na minha mente o que fomos e o que poderíamos ter sido.
Fica a cargo da vida te levar e talvez trazer de volta. Me marcar e ir pra sempre. Te buscar e te deixar aqui.
Mas, por enquanto, só a chuva apaga os dias.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
My pray, your lullaby
Be still, go on to bed
Nobody knows what lies ahead.
And life is short, to say the least.
We're in the belly of the beast.
Nobody knows what lies ahead.
And life is short, to say the least.
We're in the belly of the beast.
Be still, wild and young.
Long may your innocence reign,
like shells on the shore
May your limits be unknown, may your efforts be your own
Long may your innocence reign,
like shells on the shore
May your limits be unknown, may your efforts be your own
If you ever feel you can't take it anymore,
Don't break character, you've got a lot of heart
Is this real or just a dream?
Rise up like the sun, labor till the work is done.
Is this real or just a dream?
Rise up like the sun, labor till the work is done.
Be still, one day you'll leave
Fearlessness on your sleeve
When you come back, tell me what did you see? (what did you see?)
Was there something out there for me?
Fearlessness on your sleeve
When you come back, tell me what did you see? (what did you see?)
Was there something out there for me?
Be still, close your eyes.
Soon enough you'll be on your own.
Steady and straight
And if they drag you through the mud, it doesn't change what's in your
blood.
Over rock, over chain, over trap, over plain.
Soon enough you'll be on your own.
Steady and straight
And if they drag you through the mud, it doesn't change what's in your
blood.
Over rock, over chain, over trap, over plain.
When they knock you down
Don't break character. You've got a lot of heart.
Is this real or just a dream?
Is this real or just a dream?
Be still. Be still.
Be still. Be still.
Be still. Be still.
Over rock and chain, over sunset plain.
Over trap and snare
When you're in too deep
In your wildest dreams, in your made up schemes
Over trap and snare
When you're in too deep
In your wildest dreams, in your made up schemes
When they knock you down (when they knock you down)
Don't break character. You've got so much heart.
Is this real or just a dream?
Is this real or just a dream?
Rise up like the sun, and labor till the work is done
(Be still - The killers)
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