segunda-feira, 10 de novembro de 2014

I keep tying my heart with ribbons of green and blue
I tie them tight
Until it's hard to beat

So it lies there
Swollen, numb and useless
Throbbing
Trying so hard to be appealing
But not feeling at all.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Está quieto. O seu coração, seus olhos, seus braços, seu sorriso, sua dor. Tudo está em silêncio. E eu tenho medo de rompê-lo para dizer que você se foi, porque todas as vezes que as palavras deixam meus lábios o vazio fica mais concreto. A saudade aperta um pouco mais. É tão mais fácil fingir que estamos como sempre a um fim de semana de distância.
Te lembro nas pequenas coisas. Um brinco, um costume, um voto, um doce de coco. Tenho falta das pequenas coisas. Um abraço, um beijo, passar na sua casa antes de sair e ver se a senhora aprovava o meu figurino, de imitar os cultos da igreja com meus primos quando era criança só para a senhora ver. Tenho falta de conversar meus sonhos e objetivos, de sentir a senhora ali sonhando comigo. Mais que tudo, eu queria a senhora do meu lado para ver estes sonhos realizados.
Algum tempo se passou e eu ainda não sei descrever a dor da falta. Ligar para casa e não ouvir mais sua voz. Chegar em casa e não te ter ali. Ver algo que a senhora iria gostar e não poder mais te dar. Toda vez é te perder de novo, te perder mais um pouquinho.
Agradeço pelas lembranças. Do seu sorriso, da sua voz, do seu abraço. Agradeço por ter tido o privilégio de ser sua neta. Agradeço por ter tido o privilégio de aprender com você. Aprender a ter garra e coragem para correr atrás do que eu quero.  Aprender a ter fé. Aprender que a família, ainda que não perfeita, é a coisa mais preciosa que a gente tem.
Em dias como hoje, vó, quando a saudade bate forte, são dias em que eu preciso acreditar que daí do lado de Deus a senhora consegue me ouvir dizer que te amo.  Porque eu te amo muito, vó, e sinto a sua falta mais do que eu consigo explicar ou transmitir. Acho que nunca vou saber lidar com a despedida do físico, mas para sempre te levo comigo no meu coração e na minha alma. 
Eu te amo, vó. E, não importa a distância de mundo ou de plano, isso nunca vai mudar.  

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Amor,  seu cheiro está na janela. Uma brisa calma e um tabaco usado por qualquer um, mas que para mim é seu. Só não sei se é fumo ou saudade isso que me aperta o peito.
Amor, os dias já foram melhores. Hoje os sonhos pesam e eu já não sei o que eu quero. Nada parece no lugar e a existência anda fria.
Eu lembro de você todo dia; queria mesmo era viver em você. Acho que assim eu gostaria um pouco mais de mim. Queria viver no ontem. Eu queria estar bem.
Por enquanto, brisa e duvida. Imagino o mar por detrás dos prédios e você em algum lugar ali. Um convite que nada mais é que silêncio e ainda assim grita em mim.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Um jardim árido

I grew it on me.
However, the clock is ticking.
Those fingers pushing from within
Trapped into this cage of bones
Trying so desperately to be seen past this rotten flawed flesh

All this beauty
The softness that I could never give
Smothers me (smothers me so sweetly)
I swallow your cotton down my throat
I keep gasping for air

All this beauty
That I could never keep
Cherish
Receive
It runs away and leave me damaged
Craving for something that never was.

Still…

I grew it on me.
The hope
The hunger

I grew it on me. 

sábado, 26 de julho de 2014

I love you
And I miss you dearly.
I miss your ground that guide me out of a dull existence.
[I never truly existed before you;]
Actually, I am afraid I cease to exist whenever you are gone.
You are in my mouth
My tongue                             
My thoughts
Myself.

Nevertheless, we are the ones that can never be.
 There is an ocean, a mountain and a river between home and myself.
There are papers and plans and stamps and ties and colours and life itself.

However, I am forever afraid that I will never be until we are again.

[Even so, I am forever sad that even forever would not be enough]. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Labirinto

No início, matriz e primeira. Ali: invisível, ordinária e monótona. Uma compilação de rotina, frustração, palavras e devaneio que submerge sem nunca encontrar fundo. Vai sem razão, sem paixão, sem vida, arrastado pela correnteza como pedra morta no vazio infinito do que poderia ser. Afunda ainda com esperança de estar sobreaguando ao inundar. 
Paralelo, brilha uma outra vida cheia de cor e vazio. Náiades louvam seus encantos, cantam sobre promessas que foram realidade. E você dança sobre a pálida luz de dias que duraram anos, ao som de uma alma singular e lúdica. Mas você não pode nadar neste rio... E um gole d'água parece tão pouco. A garganta arde e queima, certas vacâncias que a seiva não consegue calar. Durou uma canção. Estes foram seus mais adoráveis cinco minutos.
No meio e a frente, em tímida companhia caminha equilibrista. O que foi, o que é, o que será. Oscilando novamente entre o ontem e o amanhã, entre o amanhã e o nunca. Sou a teia, o inseto e a aranha. Incerta e insegura, caio cada vez mais em minha própria emboscada. Poderia ser real, se real fosse suficiente. Quem quer trilhar de novo seus passos remotos e omissos? Não me incomodo de calçar sapatos que não são meus e dizer que cabem, não fosse o risco de escorregar. O precipício, quatro olhos negros, cravados em meu medo de apenas ser. A teia é um vício. A teia é um vício porque o concreto nunca foi suficiente. As náiades doces... A amarga distância. A morte iminente. Viver: como e aonde?  

domingo, 22 de junho de 2014

As rachaduras não se vão, eu as sinto pulsando atrás do gesso. Uma batida oca e assustadora na porta que não é obstáculo a transpor, batem por educação e me assombram a vontade. Já não sei se foram algum dia conjuradas, tenho certeza que vou as ver quando abrir os olhos. A poeira que se varre para debaixo do tapete ainda está ali. Ainda está ali. Não dá para colocar numa capsula, engolir e dizer que foi embora. Algum dia vai embora? Para sempre encarando a represa, seu concreto molhado e frio. No topo da muralha, olhando o falecido inimigo levantar-se ainda mais difícil de matar. Seu hálito gélido é sutil parte de minha respiração. Sem o suspiro, estou mais forte ou menos eu?